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Para muito além da Covid-19!

Por Jansen Oliveira

Inspirado em uma redação da minha querida e talentosa enteada Catharina, sob o título “Uma nova realidade pela janela”,  que usando como metáfora a sua visão do mundo atual, ela me lembrou o quanto o ar está mais puro, consequência do silêncio das fábricas mundo a fora. Que os rios estão prosas com a chegada de novos moradores, cujas águas agora menos turvas servem de convite para espécimes escondidas.  Que o céu passou a dividir a atenção com revoadas de pássaros que passam sobre os nossos lares chilreando sons antes imperceptíveis. Ouçam! Há pouco barulho nas ruas e mesmo aquelas janelas vazadas conseguem hoje abafar ruídos que até pouco tempo perturbavam a mente.

Estamos desacelerados, apesar de estarmos mais digitais do que nunca, mesmo com as pausas, compensadas, para os afazeres domésticos. O isolamento, de fato, tem-nos feito desenvolver outras habilidades e assimilar – mais e melhor – conhecimento. Novos apps têm surgido. Encontros à distância são estimulados e se realizam sem atrasos, devido a precisão que a tecnologia nos impõe.  

Nunca se praticou tanta solidariedade restrita às fronteiras do país, em contraponto às campanhas para doações, não menos importantes, que nos chegam trazendo os dilemas de toda parte do mundo, tilintando vez em quando na mídia e nas redes sociais. Claro que nem tudo são flores e que a convivência forçada nos desafia cada vez mais. Mas, até neste aspecto, temos avançado exercitando a paciência, a compreensão e o respeito ao próximo. 

Particularmente, todo este cenário traz-me uma sombria realidade. Além do medo de contrair o coronavírus, existe também o temor pelo surgimento de outros males. Não há espaço para adoecermos, seja por que motivo for. Descer uma escada apressado, escorregar em chão ensaboado ao tomar banho ou simplesmente pegar um objeto no topo da estante sem o devido cuidado nos torna sérios candidatos a visitar a emergência de um hospital.

Não bastasse a angústia  e o sofrimento de todos os dias sermos confrontados com o número crescente de mortes pela Covid-19, pela falta de alimentos para a maioria da população em razão da restrição à circulação que afeta o trabalho  das pessoas – por ironia, é o único remédio de prevenção à contaminação –  e de todos os demais infortúnios desta situação, tem-se ainda que viver sobressaltado com a possibilidade de adoecermos ou sofrermos algum tipo de acidente que torne imprescindível o atendimento hospitalar.

Racionalmente falando, não está fácil viver!

Na esteira de toda excepcionalidade que agora nos envolve nesta nova rotina, é oportuno lembrar a filosofia que nasceu no país onde primeiro se manifestou a doença. O princípio da dualidade em tudo o que existe, das duas energias opostas yin e yang, – a escuridão e claridade, que representam o equilíbrio entre as duas forças. Sinto que precisamos trilhar mais o caminho da luz,  na busca do desejado equilíbrio.

Esta  é a nossa nova realidade, onde  conviver com todos esses sentimentos é primordial para que possamos juntos vencer esta crise sanitária e as demais daí advindas. 

Eu comecei mencionando a dissertação da Catharina e irei finalizar plagiando-a, pois merecemos um fechamento feliz e, assim como ela, apesar de tudo, “pela minha janela, vejo esperança” de dias melhores! #ficaemcasa

Jansen de Oliveira, Advogado e Diretor de Relações Institucionais da Associação da Imprensa do Brasil – AIB