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Pequenos agricultores do Rio terão tecnologia própria para colheita de cana

agricultua-familiarO uso de mecanização para a colheita da cana-de-açúcar, prevista em legislação estadual como condição para o fim da queimada nestas lavouras, ficará mais próxima da realidade dos agricultores familiares. Colheitadeiras ambientalmente sustentáveis utilizadas em grandes plantações vão ser adaptadas às pequenas propriedades fluminenses.

 

Os novos equipamentos vão contribuir para acelerar o processo de erradicação das queimadas, prática nociva que deve ser banida em todo o estado até 2020. As máquinas, que estarão disponíveis para os produtores em 2015, possibilitará o corte da cana inteira e o depósito da palha no próprio campo, protegendo o solo, favorecendo a imobilização de carbono e a biodiversidade.

 

A medida faz parte das ações do projeto Intecral – Integração de Ecotecnologias e Serviços para o Desenvolvimento Rural Sustentável no Rio de Janeiro, resultado de cooperação técnica entre o governo do Estado, através da Secretaria de Agricultura, e o Ministério Federal de Educação e Pesquisa da Alemanha. Ao todo, o país europeu investirá cerca de R$ 9,2 milhões em pesquisas e na criação de soluções para melhorar a produtividade dos agricultores familiares e viabilizar o acesso à tecnologias sustentáveis de produção nas regiões Serrana, Norte, Noroeste e Baixada Litorânea.

 

O secretário de Agricultura, Christino Áureo destacou que esta é a primeira vez que se investe de fato em junção de agricultura com preservação ambiental, com os produtores se sentindo incluídos no processo de desenvolvimento da agricultura.

 

“Essa cooperação com a Alemanha vai melhorar a qualidade da nossa produção e aumentar a oferta. Para o consumidor, vai representar um produto aliado à preservação ambiental”, frisou Áureo.

 

A implantação de outras tecnologias sustentáveis foi levantada durante a visita da comitiva na última semana, a diversos municípios do interior do estado. Integrado por 18 pesquisadores de universidades e empresas privadas da Alemanha e técnicos da Secretaria de Agricultura (Rio Rural, Emater-Rio e Pesagro), o grupo viu de perto alguns locais onde ocorrerão intervenções do Intecral.

 

Na ocasião, se reuniram com o presidente da Coagro (Cooperativa Agroindustrial do Estado do Rio de Janeiro) Frederico Paes Rangel, em Campos dos Goytacazes, e conheceram peculiaridades da produção sucroalcooleira fluminense.

 

Nas microbacias Santa Cruz e Barracão dos Mendes, em Nova Friburgo, foram apresentados os resultados das ações do Programa Rio Rural para recuperação da capacidade produtiva das lavouras após a catástrofe climática de 2011. Além da transferência de recursos financeiros não reembolsáveis para os agricultores, foram implantadas práticas sustentáveis no campo.

 

No Noroeste fluminense, o grupo esteve em Santo Antônio de Pádua, Itaperuna e em Varre-Sai, onde visitou propriedade produtora de café e obtiveram informações sobre os incentivos oferecidos pelo governo estadual à cafeicultura.

 

Além da tecnologia de colheita de cana crua, a parceria vai implantar sistemas de saneamento em vilas rurais, de monitoramento de recursos hídricos e de parâmetros meteorológicos. A iniciativa contará ainda com apoio técnico e operacional da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), do Inea (Instituto Estadual do Ambiente) e dos comitês de bacias hidrográficas.

O Intecral começará a ser executado em 2014, durante três anos e contemplará pequenas localidades rurais de Cachoeiras de Macacu, Nova Friburgo, Teresópolis, Porciúncula, Varre-Sai, Carapebus, Campos dos Goytacazes, Quissamã e Macaé.

 

A pesquisadora Sabine Schlüter, do ITT (Institute for Technology and Resources Management), informou que a próxima visita de campo está prevista para a primeira quinzena de março de 2014.

 

“O projeto Intecral é mais uma das ações de cooperação entre o Brasil e a Alemanha. Esse primeiro contato foi muito importante para conhecer melhor as semelhanças e diferenças da agricultura fluminense e será fundamental para a elaboração do plano de ação”,  revelou.

 

Governo do Rio