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Pista clandestina em APA de Maricá

Uma operação integrada entre Instituto Estadual do Ambiente, Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (CICCA) – órgãos da Secretaria de Estado do Ambiente – Bope, Batalhão Florestal e Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Maricá destruiu nesta sexta-feira (26/02) uma pista de pouso clandestina, de 400 metros de comprimento por 20 metros de largura, escondida na restinga da Área de Proteção Ambiental de Maricá.
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e o diretor de Biodiversidade e Áreas Protegida do Inea, André Ilha, que participaram da ação, chegaram ao local no helicóptero verde, recém adquirido pelo Instituto. O vôo foi o primeiro oficial da aeronave.
Para impedir a utilização futura da pista, foram cavadas diversas valas em ziguezague. O trabalho contou com o apoio de retroescavadeiras, patrol (motoniveladora), pá-carregadeira e caminhões trucados. O Instituto vai promover a recuperação da área afetada com a cobertura das crateras abertas utilizando espécies típicas da região.
– Essa operação tem o objetivo de combater a criminalidade e a impunidade ambiental. No Rio de Janeiro e no Brasil, muitas vezes o crime ambiental anda de mãos dadas com a criminalidade geral, seja na Amazônia, na Ilha Grande, onde já explodimos outra pista clandestina no Parque, ou aqui. Além de todos os delitos que estão sendo levantados, existe a agressão ao meio ambiente – disse o ministro Carlos Minc, lembrando que a restinga é um dos ecossistemas mais ameaçados do país.
A pista foi encontrada pelo órgão há cerca de dez meses, a partir de uma denúncia anônima. Foi iniciada, na época, pela Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (CICCA), uma investigação para tentar descobrir os responsáveis pelo crime. Foram contatados a Polícia Federal, Ministério Público, Infraero e diversos aeroclubes, mas não havia informações sobre a localização exata da pista, que era escondida pela vegetação remanescente ao redor. Ao longo da investigação, os agentes encontraram uma série de pneus queimados na altura do que seria a cabeceira da pista. De acordo com os fiscais, os infratores incendiavam os pneus para sinalizar o pouso durante a noite. Pneus pintados de branco também demarcavam as laterais da pista, que era usada por aviões de pequeno porte, como bimotores e ultraleves.
De acordo com o diretor de Biodiversidade e Áreas Protegidas do Inea, André Ilha, indícios levantados posteriormente pelo serviço de Inteligência da Polícia apontam que, pela proximidade do mar e da Região Metropolitana do Rio, o local estivesse sendo utilizado para o transporte de armas e drogas.
– Qualquer invasão em uma APA riquíssima como essa provoca sérios prejuízos ambientais. Para a construção da pista, a vegetação foi suprimida, por exemplo. Vamos recuperar a área com espécies típicas da restinga para acelerar o processo que naturalmente ocorreria, mas levaria muito tempo para acontecer – explicou Ilha.
Segundo o diretor do Inea, estudiosos mostram que a APA Maricá, que possui 960 hectares, abriga espécies de vegetação raríssimas e endêmicas, que só ocorrem na região. Ele adiantou que o órgão ambiental está estudando a possibilidade de criação de uma unidade de proteção integral na área.
– A fiscalização aqui tem que ser cada mais intensificada. Ela foi muito frágil no passado, mas já melhorou muito. Tanto que um dos principais problemas da área, a extração ilegal de areia, praticamente parou. A criação do Inea veio para dar uma resposta também nesse sentido, com a fusão de três órgãos que tinham um aparelho de fiscalização deficiente em um mais forte e melhor estruturado – afirmou.
Durante a operação, que foi acompanhada pelo prefeito de Maricá, Washington Quaquá, e pelo secretário de Meio Ambiente e Urbanismo da cidade, Alan Novais, foram retiradas da área protegida cinco carcaças abandonadas de veículos. O processo foi realizado com a ajuda de um caminhão muck, tipo de guindaste hidráulico utilizado pelo Bope.
O Inea aproveitou a ocasião para anunciar a solução de um problema histórico da APA Maricá: um buraco chamado maracanã feito por antigos extratores ilegais de areia. O local, que hoje se encontra em terreno de propriedade da Infraero, será recuperado com recursos da empresa. De acordo com André Ilha, devido à fragilidade provocada pelo buraco de grandes dimensões, há risco de rompimento do cordão arenoso da restinga num dia de ressaca mais forte do mar.
– Já temos a solução parcial que é o preenchimento com material retirado durante a dragagem da construção do canal da restinga/ponta na década de 40. Isso dará a base para evitar que o cordão arenoso arrebente. Estamos estudando a melhor solução técnica para tampar completamente. Possivelmente, o restante do material a ser utilizado virá da retirada de areia de pontos da restinga. A ideia é utilizar areia de mesma granulometria para que seja reconstituído da melhor forma possível o ambiente original que foi degradado – concluiu Ilha.

Fonte: Inea