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Prefeitura realiza IV Conferência Municipal de Políticas para as Mulheres

 
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A Prefeitura do Rio realizou nos dias 11 e 12 de setembro, a IV Conferência Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres do Rio, que debateu o tema “Mais direitos, participação e poder para as Mulheres” – mote da Conferência Nacional que será realizada em março de 2016, em Brasília. O evento, realizado no Centro de Convenções SulAmérica, na Cidade Nova, reuniu nos dois dias cerca de 600 mulheres representantes do poder público, da sociedade civil, de movimentos feministas, partidos políticos e centrais sindicais, para avaliar o que já está em desenvolvimento e definir estratégias para avançar, apontando caminhos e mecanismos que contribuam para o fortalecimento das politicas públicas para as mulheres.

 

 

Iniciativa da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM-Rio), a conferência municipal teve como preparação cinco pré-conferências, nas principais regiões da cidade, onde foram ouvidas as demandas de cada bairro/comunidade e sugeridas novas propostas para o fortalecimento da mulher na sociedade.

 

 

– Essa conferência vem destacar o trabalho que o município vem fazendo para combater a discriminação contra a mulher no Rio de Janeiro e reforçar o seu empoderamento. É um processo democrático e as pré-conferências foram muito importantes porque as mulheres debateram vários temas, levantaram propostas que elas vivem no cotidiano da sua região e muitas outras questões que estão sendo discutidas aqui na conferência – disse a secretária Ana Rocha.

 

 

 

De acordo com a secretária, a IV Conferência ocorre já com duas principais demandas da Conferência anterior: a criação da SPM-Rio, em janeiro de 2013, e a criação do Conselho dos Direitos da Mulher do Rio de Janeiro (CODIM-Rio), em julho de 2015. Ela destacou ainda o avanço do município na criação de dois equipamentos de combate à violência: o Centro Especializado de Atendimento à Mulher em situação de violência doméstica (CEAM) Chiquinha Gonzaga, na Praça Onze, e a Casa Viva Mulher Cora Coralina; além da Câmara Temática e dos Cadernos de Gêneros sobre violência, autonomia econômica e mais mulheres no poder.

 

 

Durante os dois dias, as participantes se reuniram em grupos de trabalho para discutirem quatro eixos: “Contribuição dos conselhos dos direitos da mulher e dos movimentos feministas e de mulheres para a efetivação da igualdade de direitos e oportunidades para as mulheres em sua diversidade e especificidades: avanços e desafios”; “Estruturas institucionais e políticas públicas desenvolvidas para as mulheres no âmbito municipal, estadual e federal: avanços e desafios”; “Sistema político com participação das mulheres e igualdade: recomendações”; e “Sistema Nacional de Políticas para as Mulheres: subsídios e recomendações”.

 

Entre as propostas estão mais eficácia no combate à violência contra as mulheres; atenção às Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, que em sua maioria são formadas por homens; criação de centro especializado para a Zona Oeste; capacitação das conselheiras para compreender seu papel enquanto controle social; melhor divulgação dos equipamentos de assistência e denúncia; campanhas informativas e sistemáticas à saúde da mulher; e política habitacional emergencial para atender as mulheres vítimas de violência ou em risco de morte.

 

 

Líder comunitária e militante da causa há mais de 40 anos, Cleonir Alves, 73 anos, é representante do Conselho de Mulheres da Zona Oeste e acredita no avanço do empoderamento feminino:

 

 

– Essa conferência é uma oportunidade das mulheres gritarem suas propostas e demandas. As mulheres até há um tempo atrás não tinham voz, mas, hoje, já conseguimos algumas vitórias, nos sentimos respeitadas e capazes. Ainda temos muito problemas, mas o principal deles ainda é a violência contra a mulher, que em sua maioria tem medo de denunciar o companheiro e sofre calada. Precisamos mudar esse cenário.

 

Além dos debates dos quatro eixos, a programação incluiu duas atividades culturais: apresentações da peça “Palavra de Mulher”, que abordou através do humor e do drama a evolução feminina em um resgate de 300 anos de história, e do grupo musical Raízes Africanas.

 

Neste sábado, último dia do encontro, também foi realizada a eleição das delegadas municipais que participarão da IV Conferência Estadual, que acontecerá em dezembro deste ano. Das 390 inscritas foram selecionadas 105, sendo 25 representantes do poder público e 80 da sociedade civil. Para participar, as delegadas precisavam atender aos critérios de diversidade das mulheres (negras, brancas, lésbicas, heterossexuais, bissexuais, trans, indígenas, com deficiência, povos e comunidades tradicionais, região/bairro/comunidade e de diferentes faixas etárias).

 

 

 

Para Eleutéria Amora da Silva, representante da sociedade civil, da comissão organizadora, e coordenadora geral da Organização Casa da Mulher Trabalhadora, a Conferência é muito importante porque é a oportunidade do poder público ouvir as mulheres:

 

– Quem está aqui são as mulheres que sofrem as consequências ou a ausência das politicas públicas. A reunião dessas mulheres de todas as regiões da cidade, trazendo as suas demandas, reivindicações, sugestões, reclamações, e apresentando novas propostas, é fundamental. E é também um estímulo à participação das mulheres porque aprendem, de fato, a fazer políticas públicas e o monitoramento.