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Preservação do Rio Paraíba do Sul

A preservação do Rio Paraíba do Sul, que está na lista de prioridades do Governo do Estado do Rio de Janeiro, foi tema de reunião entre o Comitê Ambiental Sul e a secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, nesta terça-feira (4/5), na Cúria Diocesana, na Vila Santa Cecília, em Volta Redonda, região do Médio Paraíba.

No encontro, o Movimento em Defesa do Paraíba do Sul discutiu sobre o projeto do governo de São Paulo de transposição das águas do Rio Paraíba do Sul, para o abastecimento de toda a macrometrópole paulista. Desde o ano passado, autoridades têm se reunido para combater a iniciativa, que poderá prejudicar a população do Rio de Janeiro. A meta é conscientizar o cidadão fluminense sobre a importância da sobrevivência do rio.

– O projeto de transposição são apenas estudos do Governo de São Paulo. É superficial, com dados secundários. O que está sendo estudado são alternativas de atendimento a uma demanda que a macrometrópole tem. Uma dessas alternativas seria a transposição do Paraíba do Sul. O trecho paulista utiliza 18 metros cúbicos por segundo. Em 2035, esse número chegará a 21 metros cúbicos. O Comitê Paulista questiona esses números – explicou Marilene Ramos.

De acordo com a secretária, é preciso ter uma posição cautelosa em relação a uma possível transposição do Rio Paraíba do Sul. Em junho, o Governo do Estado de São Paulo enviará um relatório final sobre os estudos. Marilene Ramos garantiu, porém, que não existe possibilidade de o projeto paulista ser implantado sem o consentimento do governo federal, por meio de decretos que modifiquem as atuais regras. Além disso, um grupo de trabalho acompanha toda a operação do sistema do rio.

– O Rio Paraíba do Sul, principalmente em seus trechos superior e médio, já está muito usado. Como ele concentra uma grande população e uma demanda industrial elevada e que tende a crescer, ficamos preocupados com esse projeto. Mas precisamos aguardar o estudo final, com dados mais detalhados, para tomarmos uma posição definitiva. Tudo pode ser discutido, visando o uso mais racional das águas, com um forte combate ao desperdício, à poluição e aos problemas de uso do solo da bacia – salientou a secretária.

O Rio Paraíba do Sul nasce na Serra da Bocaina, em São Paulo, fazendo um percurso total de 1.120 km até a foz em Atafona, no Norte Fluminense. A bacia do rio estende-se pelo território de três estados – São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro – e é considerada uma das três maiores bacias hidrográficas secundárias do país, abrangendo uma área aproximada de 57 mil km². No estado do Rio, o Paraíba do Sul percorre 37 municípios. O rio é a única fonte de abastecimento de água para mais de 14 milhões de cidadãos fluminenses.

Nos últimos anos, a água do Paraíba do Sul tem sofrido como destino final de esgotos, efluentes industriais, erosão, assoreamento e desmatamento das margens. A contaminação do trecho fluminense do rio, predominantemente industrial, prejudica principalmente os municípios de Resende, Barra Mansa e Volta Redonda, onde estão localizadas indústrias siderúrgicas, químicas e alimentícias. O governo estadual está promovendo ações para minimizar e combater a poluição industrial.

A ocorrência de desmatamentos nas margens na bacia hidrográfica do Paraíba do Sul é o principal causador do assoreamento. Mas, a mais notória e prejudicial fonte de poluição da bacia do rio são os efluentes domésticos e os resíduos sólidos oriundos das cidades de médio e grande portes. A solução, de acordo com a Secretaria do Ambiente, é a implantação de estações de tratamento de esgotos e a construção de aterros sanitários e usinas de beneficiamento do lixo domiciliar.

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) monitora, mensalmente, o Rio Paraíba do Sul, em 16 estações de amostragem na calha principal e 21 pontos de coleta nos afluentes. O trabalho inclui a avaliação dos principais indicadores físico-químicos de qualidade de água, o acompanhamento da comunidade fitoplanctônica, quanto à composição quantitativa e qualitativa, e a realização de biotestes para avaliar a possível toxidez de cianobactérias e de sedimentos.

Projeto ambientais no Médio Paraíba
Na região do Médio Paraíba, o governo estadual está investindo na preservação do meio ambiente, por meio de projetos como o Limpa Rio, a construção de aterros sanitários consorciados e a implantação de sistemas de coleta e tratamento de esgoto. Com recursos do Fundo Estadual de Conservação Ambiental e Desenvolvimento Urbano (Fecam), a Secretaria do Ambiente investirá no saneamento de Volta Redonda, Barra Mansa, Resende, Vassouras, Itatiaia, Barra do Piraí e Piraí. Serão implantados ainda Centros de Tratamento de Resíduos em Volta Redonda, Resende e Vassouras para eliminar os lixões dos municípios.

O secretário geral do Movimento pela Ética na Política (MEP), José Maria; o presidente do Sindicato dos Engenheiros, João Thomás; o dirigente da ONG Ideais, Délio Guerra; e o gestor ambiental do MEP, Luiz Eduardo Ferreira, também participaram do encontro desta terça-feira.

Fonte: Governo do Rio