Início Plantão Mundo Primeiro ano após Snowden, segundo Mikko Hypponen: ''Espero que mais Snowdens apareçam''

Primeiro ano após Snowden, segundo Mikko Hypponen: ''Espero que mais Snowdens apareçam''

Há um ano, as revelações de Edward Snowden estavam apenas começando a chocar o mundo. “Atualmente, estamos melhores devido às suas ações”, destaca Mikko Hypponen, especialista em segurança e Diretor de pesquisas (CRO) da F-Secure (www.f-secure.com),. Companhias e consumidores estão mais preocupados com privacidade e pensam mais no que de fato acontece com seus dados. Além disso, uma discussão global é realizada sobre as questões complexas da tecnologia, segurança e privacidade.

 

Segundo Hypponen, o vazamento inicial de informações, o PRISM, foi crucial para desencadear toda a repercussão ao assunto. “Ele abriu nossos olhos, indicando que os serviços que todos conhecem e usam, como Google e Apple, são vigiados. Já o vazamento do catálogo da NSA ANT em dezembro mostrou como a tecnologia usada pela NSA é avançada. Ele forneceu detalhes sobre o tipo de equipamentos de segurança já utilizados há cinco anos. O vazamento sobre o Quantum mostrou como os EUA usam de modo ativo kits de exploração da web contra seus alvos. Por fim, o vazamento sobre o novo livro de Glen Greenwald mostra que a NSA possui acesso ao Microsoft SkyDrive ou ao OneDrive e, até então, não sabíamos que o SkyDrive também está disponível para a NSA”, comenta.

 

O especialista da F-Secure destaca que a revelação que mais surpreende é a de que a agência de vigilância da Grã-Bretanha, a GCHQ, espionava pessoas durante chats com webcam e considera isso um absurdo. Mas, por outro lado, Eduard Snowden dá esperanças. “Ele é um homem que se sacrificou para nos salvar e, nós, cidadãos do mundo, devemos agradecer. Nem tudo o que ele fez estava tecnicamente correto. Ele quebrou a confiança de seu empregador e de seu NDA, mas apesar disso, fez a coisa certa. Agora sabemos muito sobre a vigilância sendo realizada pelos ”Cinco Olhos”. Outros países também praticam a espionagem, mas ainda não temos evidências concretas sobre eles, pois ainda não têm seus Snowdens. Por isso, espero que mais Snowdens apareçam em outras superpotências”, ressalta.

 

Segundo a F-Secure, as informações vazadas por Snowden impactaram a forma como fornecedores de produtos de segurança fazem negócios, principalmente empresas fora dos EUA. “Nós da F-Secure mudamos aparência, slogan e missão e começamos a abranger novas áreas de negócios, além de lançar mais produtos focados na privacidade”, destaca Hypponen.

 

Outros pontos destacados por Mikko Hypponen sobre o caso Snowden são:
-Manuseio de dados de consumidores – as revelações não afetaram tanto o modo como a F-Secure lida com dados de consumidores, pois nosso foco sempre foi voltado à privacidade. Mas esse foi um dos maiores motivos pelos quais publicamos um whitepaper que detalha a coleta de dados para nossos produtos de Segurança da Internet. Ano passado, as pessoas ficaram mais preocupadas com o que acontece com seus dados. Softwares de segurança possuem um nível inferior e têm amplo acesso ao sistema, por isso como fornecedores de produtos de segurança, nosso objetivo é estar um passo à frente. Somos os primeiros e, até agora, os únicos fornecedores de produtos de segurança a documentar os tipos de dados coletados em sistemas de usuários finais. Desafiamos outros fornecedores de produtos de segurança a fazer o mesmo.

 

– Uso do serviço de Internet dos EUA – Quando as pessoas souberam das revelações, muitas disseram que não queriam mais armazenar seus dados em grandes serviços dos EUA. Mas na prática, não houve grandes mudanças entre os consumidores. Demora um tempo para abrir mão de serviços antigos e adotar novos. Por outro lado, as empresas americanas estão cada vez mais tirando seus dados da nuvem, pois sabem que ao armazená-los, o governo tem direito a acessá-los, e isso é algo muito sério.

– Melhorias nos serviços de segurança dos EUA – Eles já fizeram algumas mudanças, mas praticamente todas melhoraram a privacidade de cidadãos americanos, e não de estrangeiros. Os políticos precisam manter seus eleitores satisfeitos, e os estrangeiros não poderão votar neles.

 

Agência Brasil