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Programa estimula setor de laticínios

Quem compra leite no supermercado já percebeu marcas novas com preços, em média, 20% menores nas prateleiras. Os produtos fabricados no Estado do Rio estão ganhando cada vez mais espaço e consumidores desde o início do Programa Rio Leite, em 2001, que estimulou a produção fluminense. Quatro empresas já se mudaram ou adquiriram instalações no Rio e a produção de leite subiu de 420 milhões para 570 milhões de litros por ano de 2006 para 2009. Atraída pela oferta de marcas do Rio, a dona de casa Christine de Neuvillette-Manière, de 64 anos, moradora de Copacabana, já virou cliente dos laticínios produzidos no estado.

– Prefiro este leite, primeiro, porque é de uma região que conheço. Depois, por conta da qualidade e do preço – diz Christine, que é consumidora do leite Barra Mansa.

A partir de 2009, um decreto estadual de incentivos fiscais alavancou o Programa Rio Leite: zerou o ICMS para indústrias ou cooperativas e criou dispositivos para facilitar ao setor vantagens nos créditos do imposto, que estavam inacessíveis desde 2006. Agora, os créditos de ICMS gerados pela comercialização de produtos lácteos fluminenses subiu de 7% para 19%, mais vantajosos em relação aos 12% de créditos de ICMS das mercadorias de outros estados.

Uma das empresas que cresceu a partir do programa é a CCA Laticínios. Estimulada pelos incentivos fiscais, a empresa com sede em Nova Friburgo arrendou uma fábrica de leite em pó, a única do estado, em Macuco no início do ano e passou a investir em outro negócio. Produtora de leite de cabra há 13 anos com a marca "Caprilat", a CCA decidiu trabalhar também com leite de vaca. Há um mês, a empresa lançou no mercado o `Fazendas do Rio". Em abril, a fábrica produziu 260 toneladas de leite em pó, mas a meta é chegar a 550 toneladas.

– O incentivo fiscal possibilitou o arrendamento da unidade secadora de leite em pó. Com esse incentivo, a competitividade está muito boa. A retomada das atividades gerou cerca de 70 empregos diretos e 280 indiretos – explica o proprietário da CCA Laticínios, Paulo Cordeiro, que vai prestar serviço para a Cooperativa de Leite Macuco: – Em breve vamos processar aqui na fábrica o leite da cooperativa também.

 

O arrendamento também possibilitou a empresa deixar de importar leite de cabra em pó de outros países, como Holanda.

– Substituímos toda a importação de leite de cabra. Agora, a gente mesmo produz. No Brasil, só existe mais uma fábrica desse tipo, no Rio Grande do Sul – conta Cordeiro.

O programa desenvolveu o setor e deu novo mercado para o produtor rural. Com mais fábricas no estado, os produtores fluminenses têm mais compradores. Miguel de Paula Machado, de Nova Friburgo, tinha dificuldades de vender sua produção diária de mil litros de leite e nem sempre conseguia um bom preço.

– O programa Rio Leite trouxe fábricas para o Rio e isso é bom para nós, produtores. Traz empresas que competem e aumentam o preço que pagam pelo leite ao produtor – afirma Machado, que compara: – Antes é que era o problema. As cooperativas funcionam de maneira precária. Quem compra paga pouco. A fábrica de leite em pó trouxe uma proposta melhor porque pagam um preço diferenciado por um leite de qualidade, rico em matéria seca.
Para o gerente de produção da CCA, o técnico em laticínios Eromilto Chermout, o programa Rio Leite valorizou a produção de leite fluminense:

– Boa parte do leite que era produzido aqui ia para os estados vizinhos para ser industrializado e depois voltada para cá em forma de longa vida e queijo, por exemplo. O programa fez justiça.

Fonte: Site Sérgio Cabral