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Rio chega ao 500º bebê cardiopata operado em parceria do estado com a Perinatal


 

Uma parceria iniciada em 2009 entre a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES) e a Clínica Perinatal da Barra da Tijuca chegou na última semana ao recorde de 500 bebês com cardiopatias graves operados. A pequena Ester Viana passou pela cirurgia na última sexta-feira, dia 22 de junho, e se recupera muito bem. A taxa de sobrevida desses bebês – 94% – mostra o sucesso do projeto e se compara aos melhores índices das principais instituições de saúde do mundo, como o Children Hospital of Boston, da Universidade de Harvard (98%), e o Children Hospital of Philadelphia (96,7%), ambos nos Estados Unidos. Ester deve receber alta na próxima semana.

A menina tinha apenas algumas horas de vida quando o seu problema foi detectado: transposição das grandes artérias. Segundo a mãe, Elinadja da Silva Damas, uma ultrassonografia morfológica durante o pré-natal acusou uma alteração no coração, nada grave. Mas ao nascer, a menina teve que ser internada na UTI e, apenas 10 dias após o parto, foi operada na Perinatal.
– Foi um susto muito grande. Ela nasceu com 41 semanas, de cesárea, foi tudo aparentemente tranquilo. Mas poucas horas depois de nascer, ela começou a ficar roxa e os médicos detectaram o problema. Felizmente tive muito apoio do meu marido e não me senti só em nenhum momento. É muito difícil ter um filho e ele ter que passar por uma cirurgia assim tão rapidamente. Mas tive o melhor acolhimento possível aqui. Tem sido tudo ótimo e nunca recebi atendimento igual em nenhum hospital – conta Elinadja, que mora em Bento Ribeiro e também é mãe de um menino de 8 anos.

O pai, Marcos da Silva, também é só elogios à parceria que deu chance nova à família:

– Minha filha foi tratada como uma princesa aqui. Espero que outras crianças também possam ter a oportunidade que ela teve. Fiquei muito feliz quando soube da existência do serviço, foi uma porta que se abriu. Toda a equipe é muito cuidadosa conosco, tiram as nossas dúvidas, somos muito bem tratados. Ela está ficando cheia de saúde, estamos doidos pra levá-la pra casa – relata o pai, emocionado, ao levar o irmão da menina para conhecê-la.

O secretário de saúde, Sérgio Côrtes, comemora a parceria e o resultado inédito dessas cirurgias na rede pública do Rio de Janeiro.

– Depois dessa experiência de sucesso com a Perinatal, vamos seguir incentivando parcerias para ampliar e melhorar o atendimento de pacientes do SUS. Agora todos têm acesso a cirurgias com a melhor tecnologia existente no mundo, com equipe experiente e eficiente, além da infraestrutura da Perinatal. Não há porta de entrada diferente para os pacientes do SUS, eles chegam pelo mesmo local que os moradores da Barra – destacou o secretário Sérgio Côrtes.
Casos de cardiopatia em bebês
Anualmente, 1% das crianças que nascem no país – cerca de 24 mil – apresentam algum tipo de cardiopatia, tornando essa incidência oito vezes maior do que a Síndrome de Down, por exemplo. Dezesseis mil morrem por ano necessitando de cirurgia em centros de referência. Entre as patologias mais comuns, estão CIV (comunicação interventricular), CIA (comunicação interatrial), persistência do canal arterial, tetralogia de Fallot, transposição das grandes artérias e doença do ventrículo único.

No Rio de Janeiro, nascem, por ano, cerca de 2.170 crianças com cardiopatia congênita e 700 delas apresentam a forma crítica da doença, necessitando de cirurgias complexas em um curto espaço de tempo. O convênio entre o Governo do Estado e a Perinatal vem operando 25 crianças por mês. Antes da parceria, o número não chegava a 10 por ano.

– O Rio tem uma grande demanda por cirurgias cardiológicas. Algumas crianças morriam antes mesmo de fazer o procedimento. Uma realidade que está sendo mudada a partir do convênio entre a Secretaria de Estado de Saúde e a Perinatal. A taxa de sobrevida de 94% é comparável aos melhores serviços de cirurgia cardíaca da Europa e dos Estados Unidos, defende Manoel Carvalho, diretor do Grupo Perinatal.
A coordenadora do programa conta que em alguns casos de cardiopatia, os pacientes precisam ser operados até determinado tempo de vida e, por conta da falta de serviços especializados no estado, muitos perdiam esse prazo.

– A idade varia de acordo com a doença, podendo ser de um a quatro meses. Antes, havia muitos óbitos porque esses pacientes não tinham onde operar. Muitos voltavam para casa, não resistiam muito tempo e, logo em seguida, vinham a falecer, o que é muito triste. Era como se essas crianças já nascessem condenadas. Por isso é tão importante essa parceria. Para muitas crianças representa a única chance de sobrevivência – avalia Sandra.

Remoção de helicóptero

Os pacientes são encaminhados à Perinatal pela Central Estadual de Regulação de Leitos e o Corpo de Bombeiros faz a transferência do paciente e sua família de qualquer lugar do estado do Rio de Janeiro tendo, inclusive, o helicóptero UTI da corporação à disposição para isso.

A Perinatal fica responsável por todo o preparo dos pacientes. O pré e pós-operatórios são realizados por uma equipe multiprofissional formada por cirurgiões, cardiologistas, pediatras, neonatologistas, assistentes sociais, psicólogos, entre outros especialistas, que permanecem de prontidão na unidade 24 horas por dia. Ainda são disponibilizados 12 leitos privativos para pacientes cardíacos, destinados à recuperação após a cirurgia.

 

Fonte: Governo do Rio