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Rio reforça monitoramento em aeroporto

Por Joyce Pimentel*

A Vigilância Sanitária adotou na manhã de ontem (09/05) um novo procedimento de monitoramento dos passageiros que desembarcam no Aeroporto Internacional Tom Jobim de voos vindos de países onde foram registrados casos da gripe suína.
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, a decisão foi tomada na noite da última sexta-feira pelos secretários estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, e municipal, Hans Dohman, depois do anúncio de dois novos casos da doença no País. O Rio registrou o primeiro caso de transmissão interna da doença .
Os passageiros do voo 0905 da American Airlines que vinha de Miami; e traria dois passageiros com febre; foram os primeiros a passar pelo procedimento atípico, chamado remoto-36. Por precaução, a aeronave pousou no Terminal 2, mais afastado da área principal do aeroporto. O voo, com 185 pessoas, chegou às 8h45m, mas os passageiros só desembarcaram às 9h15m. Eles permaneceram cerca de meia hora dentro do próprio avião onde foi realizada a triagem.
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, a partir de agora, o novo procedimento passará a ser rotina. O clima era de expectativa entre várias pessoas que aguardavam a chegada de familiares. Eles reclamavam que não conseguiam uma explicação oficial da Infraero sobre os motivos que levaram a empresa a adotar o novo procedimento.
Segundo os passageiros, funcionários da Vigilância Sanitária que realizava a triagem usavam máscaras e luvas. Eles contaram que não foram submetidos a exames clínicos, mas que responderam a um questionário com perguntas sobre sintomas relacionados à gripe suína. Técnico em manutenção, o brasileiro Ciprinano Marcos do Campos, que mora em Miami, saiu do avião usando luvas. Para ele a providência é mais eficiente do que a máscara.
— Eu acho que a máscara não protege nada. Eu prefiro a luva porque o contato é feito pela mão — afirmou.
A estudante Priscila Cotley era a única a sair do voo com máscara. De acordo com ela, para proteger a família.
— Em Miami, onde estou estudando, há um alarme muito grande por causa da doença — contou.

Hospital nega negligência em atendimento

Em coletiva à imprensa ontem, a direção do Hospital Santa Maria Madalena (HSMM), na Ilha do Governador – onde B., 21 anos, primeiro paciente confirmado com a doença no Rio, foi medicado inicialmente na segunda- feira, negou que tenha havido negligência do hospital no atendimento ao rapaz.
Parentes de B., que teve a gripe suína confirmada no Hospital do Fundão na última quinta-feira, afirmaram que o jovem, que esteve uma semana no México, não teria tido atenção adequada e que, espontaneamente, buscou informações sobre a doença na internet.
De acordo com o chefe da Emergência do HSMM, César Victorino, todos os procedimentos de praxe foram adotados.
— O exame de sangue dele, que não apresentava sintomas específicos, mas apenas febre baixa e mal estar, sem coriza, estava dentro da normalidade. O paciente relatou que seu vôo apenas tinha feito uma escalada no México. Em duas horas, foi liberado e aconselhado a procurar o Hospital do Fundão, caso seu quadro piorasse — afirmou Victorino.
O diretor médico do Hospital Santa Maria Madalena, Manoel Martins, disse que o caso do paciente não foi comunicado à Vigilância Sanitária porque, naquele momento, não havia necessidade.
— Se tivéssemos que notificar todos os casos que nos chegam somente com sintomas de gripe comum, não haveria condições. O medo das pessoas virou neurose, principalmente por estamos próximos ao Aeroporto do Galeão. Dos 200 atendimentos feitos diariamente na emergência, 25 são relacionados a pessoas que acham que podem desenvolver a nova gripe, só porque passou perto do aeroporto, por exemplo — argumentou. Victorino informou que pelo menos dez pessoas, entre médicos, enfermeiros e funcionários, que tiveram contato direto com o jovem infectado, estão sendo monitorados pela Vigilância Epidemiológica. Os profissionais, porém, estão trabalhando normalmente, porque não teriam apresentado nenhum sintoma. Antes do paciente, ainda conforme o chefe da emergência do hosptial, outro paciente chegou a ser encaminhado ao Fundão, mas exames descartaram a gripe suína.
— Houve até um fato inusitado. Para atender esse paciente suspeito, nossa equipe usou máscaras, o que fez com que 90% das pessoas que aguardavam na emergência para serem atendidas fossem embora às pressas — ressaltou.

Mãe de rapaz que contraiu gripe suína no Brasil internada com sintomas da doença

A mãe do segundo jovem, de 29 anos, contaminado com a nova gripe no Rio, internado no Hospital do Fundão, na Ilha do Governador, também foi internada na mesma unidade, na manhã de ontem com sintomas da doença.
Segundo o diretor do hospital, Alexandre Cardoso, a paciente está isolada e passa por exames, mas a confirmação se é ou não a nova gripe só deve sair em 48h ou 72h.
— Minha mulher começou a sentir sintomas de gripe durante a madrugada de sábado e foi internada com febre e forte dor de cabeça — contou o marido da paciente, que não quis se identificar.
O filho mais novo, o marido e a empregada da família estão em casa, em observação, e não apresentam sintomas da doença. Segundo o marido, a mulher não teve contato com o amigo do filho que contraiu a doença no México.
O segundo caso da nova gripe foi confirmado na sexta-feira pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão. O paciente é amigo do jovem que já tinha tido a nova gripe confirmada. Os dois estão internados no mesmo hospital, na Ilha do Governador. O amigo disse que os dois estão em quartos que ficam lado a lado e se falam sempre pelo telefone.
 Ele contou que acha que pode ter sido contaminado com a gripe na hora em que deu um gole no copo em que o amigo estava bebendo cerveja.
— Encontrei com ele no domingo à noite em uma boate na Ilha. Depois do jogo do Flamengo a gente foi para a boate. Tinha bastante gente. Bebemos no mesmo copo, eu acho que foi isso que me contaminou. Na segunda à noite comecei a ter tosse e espirro, e pensei que fosse um resfriado normal. Quarta de manhã acordei com 39 de febre. Aí eu fiquei preocupado. Vim pro Fundão direto e me trouxeram para o quarto — contou.

* repórter especial AIB – [email protected]ib.org.br

Fonte: AIB