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Rio Rural estimula agroindústrias familiares em Italva

 

 

O Programa Rio Rural, da Secretaria de Agricultura, está incentivando a agroindústria artesanal na microbacia Valão do Carqueja, em Italva. Na localidade conhecida como Horta do Café, região de assentamento da reforma agrária na década de 80, dois agricultores se destacam com produtos diferenciados: a papa de milho e a farinha de mandioca.

 

O empreendimento do produtor Gilson Figueiredo Tavares deu tão certo que ele é conhecido como o “Gilson da papa”. O produtor, que chegou ao assentamento ainda criança, aprendeu a cultivar a terra com o pai e, há doze anos, assumiu a administração da propriedade.

 

– A vida inteira meu pai plantou apenas para o nosso consumo, e eu vi que não era possível progredir desta maneira. Observei à nossa volta e cheguei à conclusão que eu tinha de produzir algo que ninguém tivesse para oferecer. Aí comecei a plantar milho e fazer papa – conta Gilson.

 

A receita é um sucesso, o produto é tradicional na cidade e Gilson já tem clientes fiéis. No período da colheita do milho, ele vende cerca de 100 potinhos por dia, a três reais cada, no centro da cidade. Para dar conta da produção, precisa comprar milho dos vizinhos. Além da papa, ele e a esposa Janete vendem bolo de aipim congelado e doces de frutas como mamão, figo e banana, tudo cultivado nos 3,5 hectares de seu sítio. Foi assim que ele pagou os estudos dos dois filhos, comprou um freezer e construiu uma nova casa para a família.

 

Como bom empreendedor, Gilson sabe que pode melhorar a produção. Por isso, vai começar a frequentar as reuniões do Comitê Gestor da Microbacia (Cogem) e se habilitar para a implantação de subprojetos. Ele quer o apoio do Rio Rural para implantar um sistema de irrigação e comprar uma máquina industrial para moer o milho.

 

– Uso o liquidificador. Mas o ideal é moer o milho, porque a papa fica mais saborosa. Rende menos, mas a qualidade do produto é muito superior – diz Gilson, que pretende, ainda, isolar o topo do morro e fazer proteção de área de recarga.

A poucos metros dali, Elias Santana da Silva, de 80 anos, fabrica artesanalmente farinha de mandioca e polvilho. Todos os sábados ele leva o produto para vender na feira de Bom Jesus do Itabapoana, município vizinho, com muita dificuldade, andando a pé e de ônibus. Mas afirma que não vende muito, porque o produto é mais caro que o dos supermercados.

– Vendo a cinco reais o quilo. Não dá para vender mais barato, porque pago um diarista para descascar o aipim. Quem compra não se arrepende, porque é um produto puro, natural, de sabor diferenciado. Mas eu gostaria de vender mais – afirmou.

Segundo o assessor regional da Emater-Rio, Clóvis da Fonseca, e o supervisor local, Heloizio Machado, é possível ajudá-los a comercializar os produtos para o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) e o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), do governo federal, ampliando a comercialização.

– O fortalecimento das agroindústrias familiares é um dos objetivos do Programa Rio Rural. A sustentabilidade do agricultor familiar gera inclusão social e o desenvolvimento territorial – afirmou Clóvis.

 

Fonte: Governo do Rio