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Rio Rural incentiva cultivo ecossustentável em São João da Barra

 

Agricultoras do 5º distrito de São João da Barra estão se preparando para iniciar o cultivo agroecológico através do Sistema Mandala Adaptado, desenvolvido pelo Programa Rio Rural em parceria com a Pesagro-Rio. Elas serão beneficiadas por uma parceria da secretaria estadual de Agricultura e Pecuária com a empresa LLX, responsável pela construção do complexo portuário do Açu, em São João da Barra. Para conhecer a tecnologia, implantada sob os cuidados da produtora Luciana Silva Andrade, dez produtoras participaram de um dia de campo no sítio Cambiocó, no município de São José de Ubá.

 

A trajetória de sucesso começou quando Luciana implantou a mandala em seu sítio, na microbacia Santa Maria, com apoio da Emater-Rio. A Pesagro-Rio transformou a propriedade em uma unidade de pesquisa participativa, adaptando técnicas à realidade da produtora. A assistência especializada e a dedicação da produtora deram resultados acima da média, e desde então o sítio Cambiocó passou a ser visitado com frequência por agricultores de diversos lugares, interessados em implantar o mesmo sistema.

O pesquisador da Pesagro-Rio, José Márcio Ferreira, e o técnico da Emater-Rio em São João da Barra, Pedro de Carvalho, levaram ao sítio as produtoras rurais que serão beneficiadas pela empresa. Entre elas estavam as irmãs Elenilce Souza e Leilça Barreto, que já plantaram milho, abóbora, aipim, quiabo e abacaxi, através do cultivo convencional, e agora vão cuidar juntas de uma mandala na microbacia Campo de Areia.

Elas ouviram falar do projeto nas reuniões do comitê gestor da microbacia (Cogem) e estão entusiasmadas com o que viram no sítio Cambiocó.

– Acho que o trabalho vai ser mais leve, é um sistema fácil de trabalhar. Espero produzir mais, com mais qualidade, e poder ter uma renda melhor – disse Leilça.

Assim como as irmãs, os demais beneficiários estimulados a participar da gestão dos assuntos e projetos da comunidade, foram indicados pelo Cogem, entidade representativa dos grupos existentes em cada comunidade rural.

A construção de estufas e hortas ecossustentáveis faz parte do plano de investimentos da LLX na agricultura familiar do 5º distrito de São João da Barra. Três mandalas serão construídas nas microbacias Brejo do Ingá, Campo de Areia e Rio Doce.

Mandala adaptada: exemplo de sucesso e sustentabilidade

A agricultora Luciana Andrade, que antes só plantava couve, contou às visitantes o que mudou em sua vida com o novo sistema.

– Aprendi a diversificar a produção e a trabalhar de maneira ecologicamente correta, e posso garantir que valeu a pena – lembrou.

Hoje ela também produz alface, rúcula, temperos diversos, cenoura, beterraba, e vende a produção na feira de Itaperuna e para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), do governo federal.

A mandala do sítio Cambiocó tem sombrite (cobertura) e um minhocário no centro, adaptações feitas para a propriedade.

– O sombrite protege as plantas e a agricultora do sol, o minhocário produz húmus, um adubo com alto potencial nutriente, e o plantio em círculo gera melhor aproveitamento do solo e menos desperdício de água na irrigação. Existe um trabalho de pesquisa que permite o cultivo em equilíbrio com o meio ambiente – explicou o pesquisador José Márcio, coordenador do Núcleo de Pesquisa Participativa do Rio Rural no Noroeste Fluminense.

Pedro de Carvalho, executor do programa na microbacia Brejo do Ingá, em São João da Barra, informou em que fase está a implantação do projeto.

– As agricultoras estão aprendendo um novo manejo, bem diferente da realidade atual delas. O objetivo é fazer um resgate da agricultura familiar, trabalhando de maneira ecologicamente correta – finalizou.

 

Fonte: Agência Brasil