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Trabalhadores da agricultura aderem ao Desmatamento Zero

Em expedição pelo Brasil, o mais novo navio da frota Greenpeace, o Rainbow Warrior, está em Belém para conquistar um apoio estratégico. Desta vez, dos dirigentes das Fetagris (Federação dos Trabalhadores na Agricultura) de quatro Estados: Pará, Amazonas, Roraima e Amapá.

 

Lideranças comunitárias, representantes da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), do MPF (Ministério Público Federal) e da Universidade Federal do Pará participaram do debate que aconteceu hoje a bordo do navio, declarando apoio à campanha pela lei de iniciativa popular do Desmatamento Zero. Também foram abordados temas como grilagem de terras, violência no campo, trabalho escravo e agricultura familiar.

 

“O movimento social deve pautar o Congresso conservador desse país. A violência institucionaliza a posse da terra ao grande fazendeiro, que depois vai fazer o desmatamento. A violência no campo e a grilagem de terras são temas que precisam ter relevância nas discussões. Faz parte do que vivemos cotidianamente. Com a lei do Desmatamento Zero, podemos apresentar alternativas para a agricultura familiar”, afirmou o presidente da Fetragi-PA, Carlos Augusto Santos Silva.

 

A grilagem é também uma ameaça, pois, para “provar” a posse, o grileiro muitas vezes desmata a área em questão – no Pará, há cerca de 5.000 títulos de terra com indícios de fraude. Esse número é resultado de um pacote de documentos com dados de terras griladas no Estado, chamado Livro da Grilagem no Estado do Pará, entregue hoje ao Greenpeace. O trabalho de coleta desses dados foi feito por uma comissão interinstitucional encabeçada pelo Tribunal de Justiça do Estado do Pará, que conta com MPE, MPF, Incra, CPT, Fetagri e outros.

 

“O Brasil precisa valorizar a agricultura familiar como importante meio de produção. É necessário transferência de tecnologia, geração de renda e manejo dos recursos naturais. As áreas já desmatadas, abandonadas e subutilizadas, podem ser recuperadas. Com estes cuidados, o país pode se desenvolver e duplicar sua produção de alimentos sem precisar desmatar nem mais um hectare”, explica o diretor da campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adario.

 

Os representantes das Fetagri’s se comprometeram a levar a discussão do Desmatamento Zero para dentro da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura do Brasil). A confederação representa simplesmente 4.200 sindicatos e 25 milhões de trabalhadores rurais no Brasil.

 

Para o procurador federal Felício Pontes, a campanha é um teste de maturidade da sociedade brasileira. “Ao final, vamos saber se o Brasil já possui a consciência ambiental que precisa para se tornar a grande nação do futuro, para se tornar um país líder no cenário mundial.”

 

Segundo ele, a petição está correndo em várias unidades do MPF, não só no Pará. “Não há possibilidade de ter crescimento econômico com a destruição da Amazônia. Isso é uma contradição em si. A única maneira de se pensar em desenvolvimento para o Brasil é sendo sustentável. E ser sustentável é parar a destruição das florestas”, afirmou.

 

O padre João, representante da Unipop (Instituto Universidade Popular), lembrou do valor das florestas para os pequenos produtores. “Lutamos para manter a floresta em pé, o que ajuda as populações tradicionais a sobreviver. No meio de tanta pobreza em toda a região amazônica, ainda tem gente que pisa em cima das riquezas que a própria terra dá.”

 

Para Paulo Adario, a expansão do agronegócio é o grande problema fundiário no Brasil. “Os setores que eram chamados há alguns anos de “Brasil do atraso”, hoje são idolatrados pela mídia e pela opinião pública que conseguiram convencer, enquanto nós ambientalistas somos tidos como vilãos. O agronegócio ficou muito poderoso em nível econômico e político, mas principalmente no discurso. Temos que reverter essa situação e dar de novo a cara do bandido aos verdadeiros bandidos.”

 

A campanha pelo Desmatamento Zero no Brasil foi lançada em março e já conta com mais de 200 mil assinaturas. É preciso 1,4 milhão para que um projeto de lei de iniciativa popular seja levado ao Congresso Nacional.
Para assinar a petição, acesse o site: www.ligadasflorestas.org.br.

 

 

Fonte: Assessoria