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Três mortes por fios de alta tensão

Ao menos três pessoas morreram nos últimos três meses ao serem atingidas por fios de alta tensão que se romperam. As ocorrências foram registradas em diferentes cidades do país e, segundo notícias divulgadas no período, também deixaram ao menos três pessoas feridas.
O último caso foi registrado ontem (15), em Minas Gerais. Um fio da rede da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) se partiu na cidade de Muzambinho, na região Sul do estado, matando uma mulher e ferindo outras três pessoas da mesma família. Maria da Glória Silva, de 61 anos, lavava o carro da família em frente a sua casa quando o fio atingiu a van. A forte descarga elétrica a matou na hora. O marido e duas filhas de Maria da Glória estavam próximos ao veículo e ficaram feridos.
Pelo menos outras quatro ocorrências chegaram ao noticiário desde outubro de 2011, início da atual temporada de chuvas. Na noite de 11 de outubro, um motociclista de 38 anos morreu no bairro do Prado, na região Oeste de Belo Horizonte (MG). Umas das primeiras vítimas fatais das chuvas que castigam o estado (embora seu nome não conste da relação da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil, atualmente com 15 nomes), Gleison Wilson Souza passou sobre um fio de alta tensão que, embora tivesse se rompido no final da tarde, continuava solto e energizado em plena rua.
Os outros três acidentes aconteceram no Amazonas, em Mato Grosso e na Bahia. Na última sexta-feira (13), um motociclista por pouco não morreu ao ser atingido por um fio da rede Eletrobras Energia que se partiu no bairro de Mauazinho, na Zona Leste de Manaus (AM). Outro caso foi registrado em 12 de janeiro, na área rural de Paranatinga (MT), a cerca de 400 quilômetros de Cuiabá (MT), matando eletrocutado dois bois e duas vacas.
Já na zona rural de Tanque Novo (BA), um idoso de 88 anos morreu no último dia 13 de dezembro ao encostar na cerca de arame farpado da fazenda da família. A cerca estava eletrificada por um cabo de alta tensão da Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (Coelba) que havia se rompido na noite anterior, durante uma chuva. De acordo com o delegado de polícia de Tanque Novo, os peritos ainda não concluíram o laudo final sobre o caso, mas “a olho nu, dava para constatar que a rede tem sim problemas”.
Segundo a Cemig, as causas do rompimento do cabo em Muzambinho, ontem, ainda estão sendo apuradas. Já na capital mineira, a fiação foi atingida pela queda de galhos durante um vendaval que, de acordo com a assessoria da companhia, partiu vários cabos de alta tensão por toda a cidade. A Coelba ainda não informou o que causou os problemas em Manaus e em Tanque Novo.
A Eletrobras disse, em nota, que está investigando o incidente ocorrido na último dia 12 de janeiro, "quando um cabo de energia elétrica atingiu a motocicleta que estava estacionada e não o motociclista. As equipes do Departamento de Operação estão elaborando um laudo técnico para identificar a causa. No entanto, a empresa esclarece que se trata de um caso isolado e que tem tomado todas as medidas para que o caso não se repita".
De acordo com o engenheiro elétrico e professor da Universidade de Campinas (Unicamp), José Pissolato Filho, a maioria dos casos envolvendo vítimas são uma fatalidade, embora as ocorrências possam ser minimizadas com medidas simples como a poda de árvores, responsabilidade das prefeituras.
“Como a rede brasileira é aérea e fica exposta às intempéries, o rompimento de cabos é algo passível de acontecer, principalmente durante a época das chuvas. Óbvio que há medidas que ajudam a prevenir isso, como a poda de árvores, o uso dos equipamentos adequados e uma manutenção periódica”, disse o especialista à Agência Brasil. Para Pissolato, a rede elétrica das regiões Sul e Sudeste são bem supervisionadas. “Já no restante do país, principalmente em cidades pequenas, a manutenção é considerada inadequada, aumentando as chances de acidentes”.
Procurada, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que os registros sobre rompimentos de cabo e outros problemas no fornecimento têm que ser informados pelas distribuidoras e transmissoras durante as fiscalizações periódicas, durante as quais são avaliados, entre outros itens, a manutenção dos equipamentos. Ocorrências recorrentes em uma determinada área de concessão levam a agência a apurar os incidentes. Se for constatada falha de planejamento, operação ou manutenção, as empresas podem ser penalizadas. As sanções vão de uma advertência à multas de até 1% do faturamento anual da empresa e não desobrigam a companhia a corrigir as falhas identificadas. A Aneel não tem levantamento específico sobre o número de rompimento de cabos.

Fonte: Ag Brasil