Início Plantão Brasil Troca de serviços bancários pode gerar economia

Troca de serviços bancários pode gerar economia

Por Joyce Pimentel*

Você já parou para pensar quanto se gasta com tarifas e serviços bancários? Pode parecer coisa de “mão de vaca”, mas algumas alterações, bem simples, podem render uma economia.
Por exemplo, contratar um pacote de serviços bancários pode sair mais caro do que pagar apenas pelos serviços avulsos que forem usados a cada mês. Com a troca e algum controle da conta corrente, o consumidor pode economizar em média R$ 123,60 por ano. Essa é a conclusão de uma pesquisa realizada com base nas tarifas bancárias cobradas no mês de maio pela Fundação Procon. De acordo com a técnica do Procon, Cristina Rafael Martinussi se o cliente controlar sua conta terá uma bela economia.
— Usar apenas os serviços que são gratuitos e pagar somente pelos inevitáveis, certamente gastará menos do que se contratar um pacote —  afirmou.
A profissional lembra que, desde 2007, há uma regulamentação do Banco Central (BC) que determina uma série de serviços pelos quais os bancos não podem cobrar. Devem ser gratuitos a emissão do cartão de débito, o uso de até dez folhas de cheque por mês, a segunda via do cartão de débito, até quatro saques por mês, até dois extratos por mês por meio de terminal de auto-atendimento, consultas pela internet, transferências para contas do próprio banco, compensação de cheques e a emissão de um extrato anual.
Renovação de cadastro
Segundo Cristina, o correntista é obrigado a pagar a renovação de cadastro e o uso eventual de outros serviços.
— O Procon tem feito esse controle e verificamos que é possível gastar menos do que custam os pacotes — afirmou.
A especialista acrescenta que, alguns bancos também não cobram tarifas sobre outros serviços além dos determinados pelo BC, como por exemplo envio de talão de cheque para a casa do cliente.
De acordo com Cristina, mesmo que o correntista eventualmente use algum serviço pago, como envio de DOC, por exemplo, acabará gastando menos do que se contratasse o pacote apenas para ter direito a esse serviço mensalmente.
O Procon constatou que, no mês de maio, o valor médio do pacote padronizado foi de R$ 21,40, sendo que a Caixa Econômica Federal (CEF) tinha a opção mais barata, de R$ 15, e o a opção mais cara era a do Banco Safra, por R$ 28 por mês.
Com isso, a instituição criou um perfil hipotético de cliente, que, com o controle da conta corrente, usa, todos os meses, os serviços que são gratuitos, além da remessa de talão de cheques pelo Correio. Além disso, o correntista tem de pagar pela renovação de cadastro, que é um serviço obrigatório.
O cliente hipotético teria um custo de R$ 11,10 por mês para a manutenção de sua conta. Para chegar a esse valor, o Procon dividiu o valor da renovação de cadastro, cobrada semestralmente, e o converteu em cobrança mensal. O valor gasto pelo cliente que optou por pagar as tarifas avulsas é 93% menor do que o custo médio dos pacotes pesquisados pelo Procon.
— E este cliente pode economizar ainda mais se abrir mão da remessa de talão de cheques, caso o banco cobre pelo serviço — disse.
Cristina ressalta que muitos pacotes bancários incluem tipos e quantidades de serviços desnecessários para a maioria dos correntistas.
— O consumidor comum não costuma usar tudo o que está incluído no pacote que contratou, e muitas vezes nem sabe pelo que está pagando. O gerente faz uma sugestão e o correntista, confiando nele, opta por um pacote que não necessariamente corresponde ao seu perfil — argumentou.
O que muitos consumidores não sabem, segundo ela, é que os bancos são obrigados a permitir que os clientes não contratem nenhum pacote.
— Não é comum essa informação ficar à vista no site do banco, por exemplo. E os bancos não costumam dar esse tipo de orientação — diz.
Mas, segundo ela, mesmo quem já contratou um pacote de serviços pode optar por não usar mais nenhum plano. Basta, para isso, ir até a agência e protocolar, com o gerente, uma carta pedindo que o pacote não seja mais cobrado.
Mas antes de decidir se vai ou não cancelar o pacote, é necessário realizar uma análise criteriosa dos serviços usados mensalmente e compará-los com as opções de pacotes oferecidas pelo banco.
 
O que pode e o que não pode ser cobrado
 
A resolução 2.303, datada em 2007, do Banco Central, disciplina a cobrança de tarifas pela prestação de serviços bancários. Quase todos os serviços podem ser cobrados e as instituições financeiras têm a liberdade para fixar os valores. Entretanto, alguns serviços não podem ser cobrados.
Saiba quais são: 
* fornecimento de cartão magnético ou, alternativamente, a critério do cliente, de um talonário de cheques com pelo menos 20 folhas, por mês, independente de saldo médio na conta corrente;
* substituição do cartão magnético, exceto nos casos de pedido de reposição pelo próprio correntista decorrentes de roubo, perda, danificação e outros motivos não imputáveis à instituição emitente;
* entrega de cheque liquidado, ou cópia, desde que solicitada com 60 dias de antecedência;
* expedição de documentos destinados à liberação de garantias de qualquer natureza;
* devolução de cheques pelo serviço de compensação, por motivo de roubo, exceto cheques sem fundo, cuja cobrança só pode ser feita do emitente e não do depositante;
* manutenção de contas abertas por ordem judicial, por depósito de ações de consignação em pagamento e de usucapião;
* fornecimento de extrato mensal contendo toda a movimentação do mês;
* manutenção de contas correntes ou de poupança ativas. Nas contas de poupança inativas, ou seja, sem saques ou depósitos por prazo superior a seis meses e com saldo inferior a R$ 20, os bancos podem cobrar mensalmente R$ 4 ou 30% do saldo;
* tarifa de renovação de cheque sustado.

* repórter especial AIB – [email protected]

Fonte: AIB